Nádia Figueiredo, 40, é prova viva de que o canto lírico não precisa ficar preso à opera nem a palacetes. A mineira de Belo Horizonte acabou de voltar da turnê “Europa 2017”, realizada em Portugal, em que fez dueto com o sertanejo Daniel. Ela também emprestou sua voz a “Paride ed Elena”, tema de Linda (Bruna Linzmeyer), na novela “Amor à Vida”. Entre suas gravações estão “Carinhoso”, de Pixinguinha, e “Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá e Antônio Maria.
“A turnê com o Daniel foi algo completamente diferente, as pessoas puderam conhecer algo que não têm costume. Mas, quando elas começam a se aproximar desse universo, elas se apaixonam. As pessoas saem do teatro em êxtase, emocionadas, querem tirar foto”, diz Nádia, que, agora, junta sua voz à do compositor e músico Plácido Domingo Jr., filho do tenor Plácido Domingo, em apresentação neste sábado (3), no Palácio das Artes.
Depois que se conheceram, há três anos, e trabalharam em algumas canções, eles têm percorrido o Brasil com a turnê “Juntos”. A maratona de shows teve início no Rio de Janeiro, onde Nádia mora há 15 anos. De lá, os músicos se apresentaram em Porto Alegre e em São Paulo. Depois do show na capital mineira, os cantores líricos desembarcam em Recife.
“Tenho contato com muitos músicos, comecei a fazer vários projetos e, como canto em vários idiomas, fiz parcerias com maestros britânicos, russos… Numa dessas, conheci o Plácido. A voz dele é muito bonita, gosto de suas composições”, recorda Nádia ao detalhar que o convite para fazer um dueto partiu dela.
“Tinha uma música original na época, mas não tinha encontrado parceiro para ela. Quando vi o Plácido cantando, achei que iria ficar bom, especialmente no Brasil. Como aqui não tem muito desse segmento, e o Plácido não conhecia o país, seria uma boa oportunidade. Todo mundo amou”, conta Nádia. A música escolhida para gravação foi “Lacrime d’Inchiostro”, em estilo pop com vozes líricas.
Além de “Lacrime d’Inchiostro”, a dupla sobe ao palco do Palácio das Artes com “The Way You Look Tonight”, de Dorothy Fields e Jerome Kern, além de “Garota de Ipanema”, de Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, “Manhã de Carnaval”, “La Vie en Rose”, de Édith Piaf e Louis Guglielmi, dentre outras. “Canto cinco solos, e ele também. E, juntos, cantamos seis duetos. Tínhamos um repertório com quatro solos, mas as pessoas estavam pedindo bis, então resolvemos aumentar”, diz Nádia.
Projeto. A versatilidade lírica de Nádia fica ainda mais em evidência ao se observar seu maior projeto, o Opera Lounge Music. Nele, a cantora faz homenagens a diversas culturas, países, povos e tradições por meio de sua música.
“Desde que comecei a estudar canto lírico, aprimorei o projeto homenageando povos, comecei a estudar sobre várias culturas e compositores. Um tema que me chamou a atenção foi o aquecimento global, ainda mais porque o governo norte-americano não quer apoiar essa causa. Também gosto de focar o não preconceito da religião. Faço uma homenagem ao flamenco e ao povo judeu, que tem muita ligação com o ritmo espanhol. Canto em hebraico com ritmo flamenco”, diz.
Por isso, a belo-horizontina, que também fala inglês e espanhol, se dedica a aprender idiomas estrangeiros para cantar em línguas que desconhece. Ela já se apresentou com canções em hebraico, russo, italiano e até esperanto – língua artificial criada pelo polonês Ludwig Lazar Zamenhof (1859-1917).
“Acho o italiano mais fácil, é a língua de que mais gosto. Aí, tomo aulas com um professor italiano, passo a música na língua, e ele vai me corrigindo. Também estudo o repertório e a tradução em casa”, afirma.

AGENDA
O quê. Nádia Figueiredo e Plácido Domingo apresentam a turnê “Juntos”
Quando. Neste sábado (3), às 21h
Onde. Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, centro)
Quanto. Plateia I: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada) Plateia II: R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia-entrada), e Plateia Superior: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada)