Fonte: O tempo (Clique aqui para visualizar na fonte)

Quando criança, Nádia Figueiredo se sentava próximo à avó para ouvi-la tocar violão. Aquilo a acalmava, foi amor pela música à primeira vista. Aos 10 anos, ganhou um violão da madrinha e passou a estudar música popular – samba-canção, guarânia e sertanejo raiz – e canto. Pouco tempo depois, na adolescência, outras influências fizeram a cabeça da belo-horizontina, que pegava o mesmo violão para tocar Legião Urbana e Kid Abelha.

Em 2008, já morando no Rio de Janeiro, ela teve seu segundo e definitivo arrebatamento com a música. Na primeira aula de teatro musical, o professor deu a ela uma canção lírica como lição. “Eu nunca havia cantado, mas me apaixonei, fiquei em êxtase, impressionada como aquele som podia sair do meu corpo e como aquilo me dava uma sensação boa”, lembra a cantora.

É desse passeio entre o clássico e o popular que nasce ‘Meu Idioma É o Amor’. O álbum foi produzido pelo renomado Guto Graça Mello, que já trabalhou com Roberto Carlos, Maria Bethânia e Chitãozinho e Xororó, entre outros. ‘A Paz’, composição de Gilberto Gil, que canta e toca violão no disco, e João Donato, que faz as vezes no piano, abre o disco. “É a primeira vez que Gil grava essa música com alguém. Foi uma honra gravar no estúdio dele. Ele é um ser humano de uma generosidade enorme”, comenta Nádia.

‘Tristesse’, de Frédéric Chopin, composta em 1832 para o piano, ganha letra de Nádia em português e é um bom exemplo da mistura que ela propõe para o álbum. “O vocal começa popular, depois coloco um tom lírico”, diz.

‘The Way You Look Tonight’, já gravada por Tony Bennett, Frank Sinatra, Rod Stewart, Michael Bublé e, mais recentemente, pela banda Maroon 5, também faz essa conexão entre o pop e o clássico. Dessa vez, Plácido Domingo Jr. é quem faz tabelinha com a cantora brasileira.

Aliás, no álbum, Nádia canta em quatro idiomas: português, italiano, russo e inglês. ‘Ochi Chernye (Olhos Negros)’, por exemplo, é, talvez, como ela destaca, a canção folclórica russa mais famosa e remete à música cigana – bem sugestivo para ter uma pitada de flamenco. ‘Parla Più Piano’ fecha o disco, e quem já viu a trilogia “O Poderoso Chefão” não precisa nem de cinco segundos para reconhecer a canção. “Todas as músicas que escolhi para o disco me arrepiam de alguma maneira”, diz.

Com essa bagagem do lírico e do popular, a cantora consegue adaptar sua voz para cada estilo, mas garante que não é fácil. “Demorei alguns anos, não foi do dia para a noite. Principalmente no lírico, a voz tem que amadurecer, precisa de muito estudo. Como já tenho a base do popular, isso me ajudou muito”, comenta.

‘Meu Idioma É o Amor’ é um álbum marcado por crossover, técnica muito usada quando uma música mistura dois gêneros distintos. Por isso, a cantora diz que pôde caminhar com liberdade entre o pop e o lírico e fazer a conexão entre ambos. Para ela, isso foi essencial para que pudesse explorar sua criatividade e ter mais versatilidade nas canções. “Às vezes, o artista fica muito preso num repertório e não consegue sair dali. Eu tenho praticamente dois, clássico e popular, então não me canso”, afirma.

Saiba mais. Com nove faixas, o projeto tem sessões de gravação em Roma e no Rio, e foi lançado pela Biscoito Fino em meados de abril – a versão digital saiu em março. ‘A Paz’, com Gil e Donato, ganhou videoclipe.